Registro sobre o livro “O martelo, a pedra e o fogo”, lançado no ano de 2016

30.11.2018

Senador Paulo Paim (PT/RS)
paulopaim@senador.leg.br

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Senadores. 

A cidadania é como o Universo.... Sempre haverá uma descoberta a alcançar e uma nova estrela a ser confirmada.

No ano de 2016, eu lancei o livro “O martelo, a pedra e o fogo”. Passados dois anos, ele continua atual. 
O profeta Jeremias dizia, “a Palavra é poderosa como o fogo que ninguém pode conter e é persistente como o martelo que bate, bate, bate”. 

A vida mostra que até as pedras mais duras não resistirão à paciência, à constância, à fidelidade, à coragem e à justiça dos homens de bem. 

Buscamos a transformação do imperfeito desenvolvimento. Um trabalho cotidiano, degrau por degrau, martelando a pedra, levando ao fogo, ajustando seus ângulos em profunda introspecção. 

Do aperfeiçoamento individual se chegará ao desenvolvimento coletivo... A dignidade humana e a tão sonhada cidadania, ...
... vislumbrando o reconhecimento às diferenças e uma sociedade cuja marca seja a inclusão social. 

Mas de nada adiantará o martelo, a pedra e o fogo se o que for compreendido não for colocado em prática, forjado em atitudes e ações: ... 

... seria a negação do amor, a desconstrução da fraternidade, o abdicar de um projeto de nação.

Senhor Presidente, com essas palavras aqui ditas eu início o livro. Mas, afinal, o que é “O martelo, a pedra e o fogo”? Pois bem. Seguimos em frente.

Capítulo 1 - O martelo
“O martelo é presente em todas as culturas, assumindo, por vezes, nos povos mais antigos e dedicados à metalurgia, importante símbolo do domínio sobre o metal. Nos tempos modernos o martelo tornou-se o símbolo do operariado urbano”. 

O MARTELO representa a Democracia, a Liberdade, a Justiça, a Igualdade, o Voto, a Constituição Cidadã de 1988 - uma das cartas sociais mais avançadas do mundo. 

Nesse capítulo eu discorro sobre esses temas. Ainda ontem aqui, nesta tribuna, eu falei sobre democracia. O norte da minha fala foi justamente baseado nesse primeiro capítulo. 

Capítulo 2 – A pedra
 “A pedra angular era a pedra fundamental utilizada nas antigas construções, caracterizada por ser a primeira a ser assentada na esquina do edifício, formando um ângulo reto entre duas paredes... 

A partir da pedra angular eram definidas as colocações das outras pedras, alinhando toda a construção. Ela é o elemento essencial que dá existência àquilo que se chama de fundamento da construção”.

A PEDRA representa as “pelejas” do Brasil... saúde, educação, infraestrutura, ciência e tecnologia, emprego e renda. Que país queremos? Que nação sonhamos?         

O que o Brasil precisa fazer para tornar-se um país desenvolvido, uma nação do chamado primeiro mundo? O que fazer em momentos de crise?

Há décadas nos deparamos com obras acadêmicas, filmes, poemas, letras de canções, pronunciamentos e sentenças judiciais cujos autores apontam as mazelas do nosso país e, espelhando o inconsciente coletivo do nosso povo, perguntam, perguntam, perguntam. Mas, e as respostas? Onde estão as respostas?

Para sermos um “país do futuro”, precisamos de mais investimentos em saúde, como, por exemplo, no Sistema Único de Saúde (SUS). Precisamos aprimorar a distribuição em termos regionais dos profissionais da área da saúde: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas etc.

Embora o sistema público de saúde tenha melhorado, de forma significativa nas últimas décadas, precisa ser continuamente aprimorado, uma vez que se relaciona diretamente com a preservação e a qualidade de vida do nosso povo.

O SUS, nas últimas décadas, tem enfrentado muitos desafios entre os quais podemos citar: ...

... o rápido processo de urbanização vivido pelo Brasil. Essa migração campo-cidade resultou na criação ou expansão de municípios sem infraestrutura de serviços públicos básicos, como o abastecimento de água potável, o esgotamento sanitário, o recolhimento do lixo.

Na educação, melhoramos. Contudo, ainda temos uma longa caminhada pela frente. A taxa de alfabetização, por exemplo, ...

... é um dos indicadores mais importantes para avaliarmos esses desafios a serem enfrentados, pois revela a situação educacional e, consequentemente, as condições sociais do País.

Segundo dados do IBGE, os resultados do Censo 2010 indicaram que, aproximadamente, 91% da população brasileira com dez anos ou mais anos são alfabetizados. 

Em comparação aos resultados do Censo de 2000, a situação da alfabetização melhorou no País, pois a taxa de analfabetismo diminuiu de 12,8% para 9% em 2010... 
Mas, apesar dos avanços, temos um percentual de 9% de não-alfabetizados, o que equivale a dizer que, aproximadamente, 18 milhões de brasileiros não sabem ler e escrever.

Os especialistas são unânimes ao apontar que, se o Brasil não educar adequadamente a sua população e qualificar a mão de obra disponível, dificilmente conseguirá manter um crescimento sustentável. 

Segundo esses estudiosos, a solução definitiva para a educação brasileira passa pela valorização dos professores que, além de não serem reconhecidos pelo seu mérito, recebem salários indignos e, com honrosas exceções, carecem de mínimas condições de trabalho.

Na infraestrutura (energia, telecomunicações, portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, saneamento) o Brasil investe, por ano, cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ...

... percentual que está estacionado desde 1980, um patamar insuficiente para repor o que é depreciado e ainda expandir a capacidade de oferta. 

...Ou seja, o Brasil investe pouquíssimo para um país que almeja ser uma verdadeira nação de primeiro mundo.

De acordo com especialistas, “teríamos que investir pelo menos 3% do PIB para manter o estoque de infraestrutura existente...
... Para reduzirmos a discrepância com países emergentes com alto crescimento deveríamos investir pelo menos, 5% do PIB de forma contínua. O quadro se torna ainda mais grave porque, além de investimentos pouco, investimos mal”.

Neste capítulo, eu também abordo outros temas como ciência e tecnologia, criação de empregos, direitos trabalhistas e sociais, empreendedorismo, escolas técnicas.

No final também deste capítulo eu cito um poema de Affonso Romano de Santana... “Que país é este?, traduzido para vários idiomas. Leio aqui um pequeno trecho ...   

 “Vinha de um berço esplêndido para um futuro radioso e éramos maiores em tudo, discursando rios e pretensão...
... Uma coisa é um país, outra um fingimento. Uma coisa é um país, outra um monumento. Uma coisa é um país, outra o aviltamento”.

Mas, Senhor Presidente, vamos ao capítulo 3 – O Fogo...

 “O fogo se expressa num simbolismo de variados aspectos, pode ser associado à paixão ou à cólera, aquecedor ou destruidor, sagrado, transformador, iluminador e regenerador...

... Pode representar também o espírito ou o conhecimento intuitivo. Tal como o sol e seus raios, o fogo e suas chamas representam a força fecundante, purificadora e iluminadora”. 

O  FOGO representa todos os brasileiros e brasileiras, mulheres e homens, de norte a sul, das cidades, dos campos, das florestas e do litoral. Somente com o povo mobilizado, garganta rouca e bandeiras ao vento, é que vamos mudar o Brasil. 

As grandes mudanças - sociais, políticas e econômicas - que o Brasil precisa, só serão alcançadas com o povo nas ruas. 

O presente e o futuro do nosso país, dependem exclusivamente da ação organizada e contínua da nossa gente. 

Os palácios de Brasília, as sedes dos governos estaduais e municipais só se movimentam quando os tambores rufam seus gritos de indignação.
Antônio de Frederico Castro Alves assim escreveu: A praça é do povo, como o céu é do condor, é o antro onde a liberdade cria águias em seu calor!

Todas as manifestações da população são legítimas, independentemente de correntes ideológicas, políticas ou partidárias. 

A população tem direto a expressar-se e manifestar-se livremente, mesmo que sejam contrárias as nossas opiniões. Nesse mar de cantorias não há espaço para a violência e muito menos para a repressão.

O Capítulo 4 tem o título “Construindo a cidadania”... 

“A Luz está associada a força espiritual, ao voo do falcão, a esperança, ao conhecimento, a consciência, a cumplicidade, a identidade, ao respeito aos direitos humanos, aos direitos e deveres civis, políticos e sociais. Cidadania é luz”. 

A Luz é expressa no trabalho e na ação do legislador: ...

... sonhos, lutas, angústias e lágrimas, projetos, leis, a defesa do Brasil, a igualdade de oportunidade para todos...  Tudo que leve a melhoria da vida dos brasileiros. 

“Se as coisas são inatingíveis... Ora. Ora! Não é motivo para não querê-las... Que triste os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas”... 
... Essa frase do Mario Quintana bate fundo na alma de todos que acreditam e sonham com um país mais solidário e justo.

Neste capítulo eu trato de grandes temas legislativos que fizeram e fazem parte da minha vida, seja como autor de leis e projetos, passando por debates de assuntos que tratam diretamente da vida das pessoas...

Falo das leis dos estatutos do Idoso, da Pessoa com Deficiência, da Igualdade Racial, da importância do salário mínimo, ...

... do Estatuto da Juventude, do fator previdenciário e a formula 85/95, das reformas trabalhista e da Previdência, da terceirização, entre outros assuntos.

Senhoras e Senhores, este livro “O martelo, a pedra e fogo” foi escrito com muito carinho. 

Foi escrito com o mesmo espirito do livro “Pátria Somos Todos”...  São obras que refutam a intolerância e o ódio. São obras que pregam o amor e a solidariedade. 

Estamos a oceanos das transformações sociais e políticas necessárias. Queremos o nosso Brasil fraterno e democrático.  

Não podemos mais viver somente o agora. Queremos pintar o destino coletivo do nosso país... O martelo, a pedra e o fogo... 

Queremos construir a cidadania. A história nos impõe este desafio. 
Vamos fazer história. 

Temos pressa de seguir adiante, de escalar montanhas, de rabiscar versos, de cantar as palavras dos ventos. Assim, eu creio. 

Era o que tinha a dizer, 
Sala das Sessões, 30 de novembro de 2018.
Senador Paulo Paim. 

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