Registro sobre mudanças climáticas no mundo

01.04.2019

Senador Paulo Paim (PT/RS)
paulopaim@senador.leg.br
 
Senhor Presidente,
Senhoras e senhores Senadores. 

Gaia – a mãe Terra – é o elemento que gerou toda essa imensa força que fez do vazio a luz. 
 
Ela criou o céu, os ares, os rios, os mares, as florestas, as folhas, a chuva, os frutos, as montanhas, os desertos, o frio, o quente... a vida em nosso planeta.
 
Gaia – a mãe terra – também criou as dores da natureza: a árvore que chora quando é estendida ao chão, as lágrimas que escorrem das águas quando não mata mais a sede, o sangue das ruínas vivas do verde.   

Há décadas Gaia dá sinais para a humanidade: ...
 
... parem com a insensatez, com o descaso, com a infâmia, com o desprezo, com a ignorância, com a ganância. Respeitem à vida, a sagrada energia que o universo e o cosmos concederam.   
 O mundo, Senhor Presidente, discorre em dilemas, em impasses: o que fazer quando a natureza se revolta contra os erros da humanidade? Quando não há equilíbrio entre o verbo e a magia da evolução, do progresso social?
 
Relatório da Agência de Meteorologia da ONU, alerta que mudanças do clima, que hoje, estão cada vez mais extremas, estão atingindo todo o planeta Terra. Em 2018, 62 milhões de pessoas foram afetadas. 
 
Todos os dias há um novo exemplo de devastação ligada ao clima. 
 
Os pobres e os vulneráveis são os primeiros a serem atingidos, ...
... a sofrerem com tempestades, ciclones, tufões, secas, terremotos, maremotos, incêndios florestais. Nenhum país está imune.  A alimentação e as economias também são atingidas. 

Os sinais físicos e os impactos socioeconômicos deixados pela mudança climática são cada vez maiores devido às concentrações de gases de efeito estufa sem precedentes, que provocam um aumento das temperaturas mundiais a níveis perigosos.
 
O professor em economia sustentável, Paul Ekins, lembra que ciclones como o que ocorreu em Moçambique, Zimbábue e Malauí, abro parênteses aqui... quase 800 mortos. A ONU calcula mais de 1 milhão e meio de atingidos. Há muitos casos de cólera... 

... fecho parênteses, e prossigo, ... os ciclones, segundo Paul Ekins, serão comuns se os governos e as comunidades internacionais não diminuírem em pelo menos 45% as emissões de gases poluentes até 2030.

Abre aspas, “infelizmente a humanidade parece estar em sono profundo. Parece que não vai acordar dão cedo. É obvio que o ciclone na África foi mais extremo devido as mudanças climáticas”, fechas aspas, diz ele. 
 
Em 2018 foram 35 milhões de pessoas afetadas por enchentes em todo o mundo, 821 milhões de pessoas desnutridas devido as secas, dois milhões deslocadas devido à desastres naturais. E mil e seiscentos mortes por onda de calor e queimadas.
 
Nós não podemos ignorar esses alertas da Mãe Terra – a Gaia. 
 
Temos que ter consciência, disposição e engajamento para virar esse jogo. O Brasil, no caso, deveria, no meu entendimento, estar na linha de frente de uma grande concertação, buscando acordos.   
 
Senhoras e Senhores,
 
O relatório da ONU destaca ainda a elevação recorde do nível do mar, assim como das temperaturas terrestres e oceânicas, que ficaram altas nos últimos quatro anos. Esta tendência de aquecimento começou no início do século e deve continuar.
 
Abre aspas, “a climatologia alcançou um grau de robustez sem precedentes e proporcionou provas confiáveis do aumento da temperatura mundial e de circunstâncias relacionadas, ...

... como o aumento acelerado do nível do mar, a redução dos gelos marítimos, o retrocesso das geleiras e fenômenos extremos, tais como as ondas de calor”, palavras do secretário-geral da ONU.
 
Observem bem, estes indicadores da mudança climática estão se tornando mais extremados. 

Os níveis de dióxido de carbono, que eram de 357 PPM em 1994, quando o relatório foi publicado pela primeira vez, seguem aumentando, tendo alcançado 405 PPM em 2017. É mais uma alerta: as concentrações de gases causadores do efeito estufa estão aumentando a cada ano.
 
E o que nós estamos fazendo? O que os governos estão realizando? O que os senhores do poder mundial pensam? 
 
É obvio, é claro, é nítido que esse deslocamento do clima tem impactos na saúde e no bem-estar das pessoas, nas migrações, na segurança alimentar, no meio ambiente, nos ecossistemas oceânicos e terrestres. 
 
As temperaturas diárias de inverno na Europa bateram recordes de calor, enquanto se observou um frio incomum na América do Norte e ondas de calor abrasador na Austrália. 
A superfície de gelo do Ártico e da Antártida voltou a ficar muito abaixo da média. Na Índia foram registradas as piores inundações em quase um século.
 
O próprio Brasil tem tido desencontros: tempestades matam no Rio de Janeiro; no Rio Grande do Sul ondas de calor chegam a 42, 44 graus... 

500 milhões de abelhas morreram nos últimos 4 meses no Brasil, devido aos agrotóxicos... 

Elas são fundamentais para o planeta e para o equilíbrio dos ecossistemas, já que, na busca do pólen, sua refeição, estes insetos polinizam plantações de frutas, legumes e grãos. Esta polinização é indispensável, ...
... pois é através dela que cerca de 80% das plantas se reproduzem.

Intoxicação por agrotóxicos pode levar à cegueira e até à morte.  De 2007 a 2017, quase 40 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxicos foram notificados no Brasil. Quase 1,9 mil pessoas morreram.

Quando uma barragem explode, como as de Mariana e Brumadinho, antes, houve o dedo dos homens. Imaginem o corpo humano sendo injetado com substâncias tóxicas. Chegará um ponto que vai explodir. A natureza, a terra, também são assim.   

Quatro barragens, neste momento, estão em alerta, no estado de Minas. No final de semana duas barragens romperam no distrito de Machadinho D’oeste, em Rondônia. Os moradores dessas regiões estão em pânico, desespero. Escolas não funcionam, serviço público prejudicado.

O desmatamento é algo assustador no Brasil. Ao todo, o país perdeu 399 mil quilômetros quadrados de superfície arborizada nos últimos 34 anos, o que representa mais do que a perda da Rússia, Canadá, Paraguai e Argentina, juntos. 

Senhor Presidente,

Nós não nos damos conta sobre a Segurança alimentar. Os ganhos que tivemos nas últimas décadas contra a desnutrição estão a perigo...   

Estima-se que o número de pessoas subalimentadas tenha chegado a 821 milhões em 2017, devido em parte às graves secas associadas ao intenso episódio do El Niño de 2015/2016.
 
Também chamo à atenção. Dos 11,7 milhões de deslocados internos registrados pela Organização Internacional para as Migrações em setembro de 2018, ...

... havia mais de 2 milhões de pessoas em situação de deslocamento por conta de desastres relacionados a fenômenos meteorológicos e climáticos. Essas pessoas precisam de proteção.
 
Segundo a Rede de Vigilância e Proteção dos Repatriados, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, ...

... entre janeiro e dezembro de 2018 foram registrados cerca de 880 mil novos deslocamentos internos. Destes, 32% foram atribuídos às inundações e 29% à seca.
 
Ainda, conforme o relatório da ONU, estima-se que, entre 2000 e 2016, o número de pessoas expostas a ondas de calor tenha aumentado aproximadamente 125 milhões, dado que as ondas de calor eram, em média, 0,37 dias mais longas que no período de 1986 a 2008.
 
Senhor Presidente, há muitas outras questões que precisam ser abordadas sobre a cena do clima mundial. 
 
Temos que sempre reiterar este problema. Como eu sempre digo, o Brasil não pode se furtar de fazer o bom debate. 
 
Afinal, Senhoras e senhores, o que é o Brasil? Somos natureza, somos o Pampa, somos o cerrado, a caatinga, ...

... a Mata Atlântica, a Amazônia, a Mata Araucária, o Pantanal, o litoral com 7.367 quilômetros. Nossas terras são as mais agriculturáveis do mundo, são milhões de hectares.  
 
Somos o morro das comunidades, as vilas ribeirinhas, as cabanas do Timbó, o sol queimando no asfalto, somos uma aquarela. Somos 220 milhões de brasileiros. Temos que cuidar, acarinhar a nossa gente. É o nosso tesouro. 
 
Era o que tinha a dizer,
Sala das sessões, 01 de abril de 2019.
Senador Paulo Paim. 
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