Endividamento das famílias brasileiras, aumento da gasolina, reajuste do salário mínimo, reforma da previdência

05.04.2019

Senador Paulo Paim (PT/RS)
paulopaim@senador.leg.br

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Senadores.

É assustadora a conjuntura social e econômica atual do nosso país. Primeiro, vamos lá ...

O endividamento de famílias brasileiras atinge o maior patamar desde 2015. 

O percentual com dívidas (em atraso ou não) chegou a 62,4% em março deste ano. O índice é superior aos 61,5% de fevereiro deste ano e aos 61,2% de março do ano passado.

Reitero: esse é o maior patamar de endividamento das famílias desde setembro de 2015, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, ...

... divulgada no dia de ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Já as famílias inadimplentes, ou seja, aquelas que têm dívidas ou contas em atraso, ficou em 23,4% em março deste ano, acima dos 23,1% do mês anterior. 

Na comparação, ainda segundo a pesquisa, com março do ano passado (25,2%), no entanto, o indicador teve uma queda de 1,8 ponto percentual.

O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso aumentou de 9,2% em fevereiro para 9,4% em março deste ano... 

No entanto, continuou abaixo do patamar de março do ano passado (10%).

O cartão de crédito foi apontado como o principal motivo das dívidas por 78% das famílias endividadas, seguido por carnês, para 14,4%, e, em terceiro, por financiamento de carro, para 10%.

Segundo ponto, senhor Presidente: a Petrobras anunciou também ontem que vai elevar, a partir de hoje, o preço médio da gasolina nas refinarias em 5,6%. O maior aumento em cinco meses. 

Ora, todos sabemos que direta e indiretamente esse aumento vai respingar em tudo: alimentação, transporte, etc. O preço médio do diesel, por enquanto será mantido. Mas, nas refinarias o diesel teve um aumento no ano de 18,5%.

Senhor Presidente,

Terceiro ponto: O governo quer corrigir o salário mínimo só com base na inflação a partir de 2020. A correção pelo PIB seria descartada. 

Na prática, isso significa que os trabalhadores não terão ganho real. 

Desde 2007, o reajuste leva em consideração, além da inflação do último ano, o crescimento do (PIB) Produto Interno Bruto de 2 anos antes. 

Lembro que, foi graças a Política de Valorização do Salário Mínimo, estabelecida lá atrás que o Brasil conquistou o aumento do mínimo pela inflação maio o PIB.

O atual governo argumenta que haveria uma economia de 7,6 bilhões de reais. 

Mas, alto lá, se o trabalhador tem menos direito no bolso, ele não vai consumir. Perdem todos.

Quarto ponto; Sem contar que a reforma trabalhista, o congelamento dos tetos dos investimentos, ...

... a própria reforma da Previdência que está aí, causaram, estão causando e vão causar muitos mais problemas para o país: ...

... desemprego, retirada de direitos, precarização da saúde, educação a desejar, segurança... etc. 

Era o que tinha a dizer,
Sala das Sessões, 05 de abril de 2019.
Senador Paulo Paim. 
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