Recessão brasileira, renda do trabalhador...

08.11.2019

Senador Paulo Paim (PT/RS)
sen.paulopaim@senador.leg.br

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Senadores. 

Chamo a atenção deste Plenário para uma matéria jornalística da BBC Brasil sobre recessão. 

Dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que, entre o final de 2014 e o segundo trimestre de 2019, a renda do trabalho dos 50% mais pobres da população despencou 17,1%. 

Nesse grupo, estão 105 milhões de pessoas que ganham até R$ 425 cada uma, por meio do trabalho - sem considerar benefícios assistenciais. 

No mesmo período, a renda do 1% mais rico, a fatia que engloba 21 milhões de pessoas que ganham entre R$ 5.911 e R$ 11.781 no mercado de trabalho, já cresceu a dois dígitos: 10,11%... 

A renda dos 10% mais ricos subiu 3% no mesmo período.

Esses dados são da Pnad Contínua trimestral, do IBGE, e considera o rendimento habitual, medida que considera o ganho mensal mais frequente recebido por empregados, ...

... empregadores e trabalhadores por conta própria, sem considerar rendas extraordinárias, como bônus, 13º ou horas extras. 

Diz a BBC Brasil, “Uma peculiaridade da recessão é que, junto com a pobreza e a retração da economia, cresceu também a desigualdade entre ricos e pobres, levando a uma piora do bem-estar social”.  

O levantamento da Fundação Getúlio Vargas aponta que, enquanto a economia encolhia durante a crise, ...

... a renda do país ia ficando cada vez mais concentrada nas mãos dos mais ricos por 17 trimestres seguidos, um período recorde de aumento da desigualdade. 

Observem a avaliação do economista Marcelo Neri da Fundação: ...

"Nem no auge da inflação, que foi em 1989, a desigualdade subiu por um período tão longo... 

Só olhar para o PIB é insuficiente para entender o efeito da crise sobre a renda da população. Não se trata apenas de uma brutal recessão, mas você vinha de um período de expansão forte da economia, em que a renda crescia, a desigualdade caía. E a renda passou a cair e a desigualdade a aumentar", fecha aspas.

Ele complementa... "Em termos de bem-estar, esta é uma década perdida. E se a recuperação da economia é lenta, a recuperação de bem-estar é ausente, não aconteceu até agora". 

Senhor Presidente,

O sociólogo e pesquisador Rogério Jerônimo Barbosa, em sua pesquisa de pós-doutorado, aponta que a pouca recuperação observada até agora no mercado de trabalho ainda não beneficiou os trabalhadores mais pobres. 

"A recessão ainda não terminou para os trabalhadores mais pobres; sua renda ainda está em queda, mesmo quando descontamos os efeitos do desemprego".

Os trabalhadores mais pobres tornaram-se ainda mais afundados na informalidade, o que torna a desigualdade entre tais trabalhadores ainda maior. Há hoje no Brasil 40 milhões na informalidade. 

O Banco Mundial vinha alertando há dois anos que o Brasil deveria aumentar o orçamento do programa Bolsa Família para incluir os novos pobres que surgiriam na recessão. 

Senhor Presidente,

Nesse contexto temos a reforma Trabalhista, a Emenda 95 do teto dos gastos, a reforma da Previdência, ...

... redução de investimentos em saúde e educação, desemprego (12,5 milhões), salário mínimo congelado, entre outros. Aonde vamos parar?   

Era o que tinha a dizer,
Sala das Sessões, 08 de novembro de 2019.
Senador Paulo Paim. 
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