Formado em biblioteconomia, Luciano Ambrosio Campos é uma pessoa com deficiência visual e atua há 23 anos no gabinete do senador Paulo Paim (PT-RS). Hoje, dia 8 de abril, se comemora o Dia Nacional do Sistema braile. Luciano fala sobre o papel transformador do sistema de escrita para a comunidade cega.
— O braile significou a entrada dos cegos no mundo da informação. Antes disso, compreendíamos o mundo basicamente pela escuta, o que impunha muitas limitações. Hoje contamos com mais tecnologia, como leitores de tela em computadores e celulares, mas ainda dependemos muito da audição. Com o braile, passamos a ter acesso à escrita, à grafia das palavras, à pontuação. Enfim, ao mundo do conhecimento. Para a pessoa cega, os olhos estão nas pontas dos dedos — explica.
Luciano também atua na articulação entre movimentos de pessoas com deficiência visual e a Casa legislativa. Segundo ele, embora já exista produção de literatura em braile, ainda há carência de livros técnicos nesse formato, o que reforça a importância de ampliar iniciativas voltadas à democratização do conhecimento.
A atuação do Senado Federal
No Senado, a Gráfica conta com o Serviço de Impressão em braile (Seib), responsável pela produção de obras adaptadas, como livros, notícias e documentos jurídicos. O serviço dispõe de equipe especializada em revisão em braile e, anualmente, disponibiliza calendários nesse formato para instituições que atendem pessoas com deficiência visual.
Neste ano, o Plano de Acessibilidade da Casa também foi impresso em braile. A iniciativa contou também com a participação de uma pessoa com deficiência visual no grupo de trabalho do plano, integrante da equipe de revisores do Senado.
Para Natanne Rocha, do Serviço de Ações de Acessibilidade (Seace), vinculado ao Núcleo de Coordenação de Ações de Responsabilidade Social (NCas), a ação mantém o compromisso da Casa com a promoção da acessibilidade.
— Reafirmamos nosso compromisso com a inclusão, buscando continuamente ampliar o acesso à informação e aos serviços institucionais. Iniciativas voltadas à acessibilidade, como materiais em braile, recursos assistivos e espaços inclusivos, são fundamentais para garantir que ninguém fique para trás — destaca.
O que prevê a legislação
A data foi instituída pela Lei 12.266/2010 e faz alusão ao nascimento de José Álvares de Azevedo, considerado o primeiro professor cego do país e responsável por introduzir o braile no Brasil. Ele também foi o idealizador da primeira escola voltada ao ensino de pessoas cegas no Brasil, o Imperial Instituto de Meninos Cegos — atual Instituto Benjamin Constant (IBC), no Rio de Janeiro.
A lei determina que entidades públicas e privadas realizem, nessa data, ações e eventos em homenagem a Louis Braille, bem como iniciativas voltadas à valorização do sistema como ferramenta indispensável para a autonomia da pessoa cega e para sua plena integração social.
A data tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a importância do braile como meio de comunicação, garantindo oportunidades iguais de leitura e aprendizagem, além de promover a reflexão sobre os desafios ainda enfrentados pelas pessoas com deficiência visual. Entre as diretrizes, estão:
o fortalecimento do debate sobre direitos e inclusão social,
o incentivo à inserção no mercado de trabalho,
a capacitação de profissionais especializados em braile,
a divulgação de novas tecnologias de acesso à informação,
a ampliação da produção de textos e livros nesse formato e
a disseminação de orientações sobre a prevenção da cegueira.
Um sistema universal e versátil
O sistema, criado pelo francês Louis Braille no século 19, é um método universal de leitura e escrita tátil. Realizado tradicionalmente em papel em relevo, ele é lido da esquerda para a direita com uma ou ambas as mãos. Pode ser adaptado a diferentes alfabetos e a todas as áreas do conhecimento, incluindo tabelas, gráficos, partituras musicais, equações matemáticas e estruturas químicas, possibilitando a plena participação das pessoas cegas em diferentes setores.
Fonte: Intranet/Senado Federal